-Maria, ele ainda está aí com você?
-Ele nem ficou aqui Sophie, se ficou foi uns quarenta minutos e foi embora.
-Nossa, pra onde será que ele foi?
Sophie então desliga o celular e a ruga de dúvida e curiosidade cobriu-lhe a testa. Onde será que ele foi?
Subiu a ladeira vagarosamente em direção a casa de julinha, estava um dia nublado, cinza e uma leve neblina cobriam-lhe os olhos. O cheiro de chuva prestes a cair fazia com que apressasse o passo. Avistou a casa de Julinha, aproximou-se e entrou.
-Julinha, você está aqui? Chamava insistente sem obter resultado.
Foi entrando chamando pela amiga que havia deixado a porta aberta com instruções para que ela entrasse e se caso ela não estivesse que se sentive a vontade e confortável.
Sophie entra pela sala de estar, e não consegue ver nada claramente, apenas vultos dos móveis num tom acizentado, talvez pela influência do dia tão sombrio que se manifestava.
Sentou-se por alguns instantes numa poltrona macia, sentiu seu corpo estremecer de frio. Passou as mãos nos braços na tentativa de aquece-los. O silêncio era sua companhia, perguntou-se onde estaria todo mundo?
De repente ouviu seu estômago e lembrou-se que havia saído de casa sem comer. O frio só aumentava a sua fome.
Vou ao mercadinho. Levantou-se da poltrona e seguiu ao antigo mercadinho perto da casa de Julinha, recordou-se que há muito tempo ela havia trabalhado alí. Sentiu-se nostálgica, assim como num filme, o passado rodou em sua mente.
Entrou no mercado, muitas coisas haviam mudado, há mais de trinta anos não havia ído nesse lugar. Entrou e sentiu o ar gelado invadir-lhe os pulmões, não foi sempre assim, havia um calor e muita vida lá dentro. Continuou a prosseguir e notou que estava vazio também, nada, ninguém nem uma viva alma. Sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha, estremeceu.
Continuou adentrar e notou que a porta dos fundos que levava ao depósito estava entreaberta. Tocou na porta, empurrando-a vagarosamente.
Um faixo de luz, iluminava a escuridão através de sua sombra, chamou por alguém, mas não obteve resposta. Continuou a entrar e se aproximou de um velho elevador, mas aqui havia um elevador? Perguntou-se.
Voltou-se em direção a porta por onde havia entrado e um barulho fez com que se voltasse novamente para o elevador.
Ela não acreditava no que seus olhos viam...
Ele ali parado tentando abrir a porta do elevador.
Suas mãos gelaram e seu coração parecia que iria saltar pela boca. Não acredito, não acredito, pensou.
Aproximou-se dele, com lágrimas nos olhos e depois de tantos anos poder ver seu rosto novamente.
Os dois ficaram imóveis, olhando para o outro.